
Foi quando o rótulo Pós-Rock já estava saturado o bastante para definir qualquer banda que se aventurasse por experimentalismos barulhentos de mais de 5 minutos que o Black Mountain lançou em 2008 o álbum "In The Future". Longe do enfadonho termo, o disco na verdade era uma perfeita combinação de riffs pesados, munidos de arranjos inspirados no Rock Progressivo convertidos inexplicavelmente para a sonoridade contemporânea. Com o mérito desse álbum, este quinteto canadense foi aclamado pelo seu som Neo-Prog e ainda chamou a atenção da imprensa especializada para várias outras bandas que faziam um som similar (Howlin Rain, Creature With The Atom Brain, Comets On Fire etc...). Através de épicas apresentações e entrevistas que deixavam claras a pose lisérgica do grupo, a expectativa para o sucessor de "In The Future" aumentava consideravelmente. E eis que com "Wilderness Heart" o Black Mountain joga essa expectativa para bem longe. Entretanto, o grupo mostra que ainda tem belos truques escondidos na manga. Neste terceiro trabalho, a atmosfera progressiva é deixada de lado para dar lugar a carregadas influências de Hard Rock e primórdios do Heavy Metal. Mas o que chama mais atenção nesse novo disco é a facilidade com que o Black Mountain consegue unir tantas referências batidas do Rock Clássico de modo ainda bem original. "The Hair Song" abre o álbum e é puro Zeppelin convertido a estética sonora dos Black Crowes. O guitarrista Stephen Mcbean e a vocalista Amber Weber duelam na maioria das faixas, porém é o vocal de Amber que chama mais atenção: sua voz doce e angelical (bastante similar a de Annie Haslam do extinto Renaissance) contrasta e complementa perfeitamente o instrumental do grupo. A partir de mais audições, percebe-se duas faces distintas no álbum. "Old Fangs", "Lets Spirits Ride" e "Rollercoster" são pedradas de acordes musculosos inspiradas no melhor do Deep Purple, Hawkwind e Blue Cheer. Já "Buried By The Blues", "The Space of Your Mind" e "Sadie" são lindas introspecções acústicas no maior clima King Crimson (fase "In the Court of Crimson King") e Floyd (fase "Wish You Were Here"). Com essas duas facetas, "Wilderness Heart" parece um Yin-Yang sonoro: ora reflexivo e calmo, ora distorcido e alto na medida certa. Conceito místico criado por Neo-Hippies musicalmente bem intencionados.
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