Quarta-feira, Março 16, 2011

Melhores Discos de 2010, Nº 3) Radio Dept. - "Clinging To A Scheme"




O Radio Dept. sempre foi taxado de ser uma banda Shoegazing tardia. Os vocais suaves sempre escondidos por uma parede de efeitos são constantemente a marca registrada deste grupo sueco. Entretanto desde "Pet Grief" (2006) o quarteto explicitava inusitadas influências de Etherall-Pop e Sinth-Pop oitentista, mesclando teclados em cima de acordes afiados de guitarra. Seguindo nessa vertente, eis que "Clinging To A Scheme" emerge à superfície como o melhor álbum do quarteto. Pode-se dizer que ao ouvir este terceiro álbum destes suecos, nos deparamos com a terceira geração do então chamado "Wall Of Sound". Conceito criado pelo produtor Phil Spector na década de 60 e arrebatado pelo Jesus & Mary Chain nos anos 80 com guitarras, agora é a vez do Radio Dept mostrar como cobrir o ouvinte com o maior número possivel de teclados e efeitos. Caso raro como o de "Clinging To A Scheme", o grupo consegue nos envolver com as melhores melodias e climas inebriantes."Domestic Scene" abre o disco com dedilhados emocionados lembrando as melhores paisagens acústicas de Elliot Smith. Quando a música acaba, entra um improvável prelúdio retirado de "Style Wars" (aclamado documentário sobre o grafite novaiorquino) colado aos trinados celestiais de "Heaven's On Fire". Percebe-se a vontade do Radio Dept de contextualizar suas composições e é assim que o álbum prossegue. A sonoridade lembra em vários momentos o casamento perfeito das dinâmicas melódicas do My Bloody Valentine com a exuberância tecnológica do Pet Shop Boys. O resultado disso é um album de tons melancólicos e de músicas memoráveis que irão ressoar dias chuvosos a fio na cabeça de quem as ouve. A voz de Johan Duncanson continua suave e laconicamente distorcida, surpreendendo em maneirismos melódicos como na quase R&B "David" e em "Never Follow Suit" (com outro trecho de "Style Wars" linkando a canção ao seu fim). Como na capa, o Radio Dept. alcança em "Clinging To A Scheme" a representação mais pura de seu som. São suspiradas e sinceras reflexões envoltas em doses de fumaça e solitária neblina.






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