Quinta-feira, Março 03, 2011

Melhores Discos de 2010, Nº 5) Black Rebel Motorcycle Club - "Beat The Devil's Tattoo"


A maturidade chegou precocemente para o Black Rebel Motorcycle Club em 2005, quando naquele ano eles lançaram o impecável Howl. O disco era uma fusão de Folk-Rock, Rock n' Roll clássico e paisagens sonoras acústicas repletas de melancolia. Com o álbum, este Power-Trio de Los Angeles adquiriu respeito do grande público ao mesmo tempo que agonizava internamente: Howl foi gravado somente com o vocalista/guitarrista Peter Hayes e o baixista Robert Levon enquanto o baterista Nick Jago já havia sido sumariamente expulso da banda por envolvimento em drogas pesadas. Ao mesmo tempo que o trio chutava para longe o seu legado de guitarras distorcidas dos seus dois álbuns anteriores (B.R.M.C. de 2000 e "Take Them On, On Your Own" de 2004), Peter e Robert readmitem Jago para tocarem durante a turnê, porém já percebia visualmente que esta formação não duraria muito tempo. Em 2008, Nick novamente sai da banda sendo substituído por Leah Shapiro, que já havia tocado bateria com o The Raveonettes e o Dead Combo, dando um sopro de energia no grupo durante as apresentações ao vivo. Com o nome tirado de um trecho do conto do escritor Edgar Allan Poe, "Beat The Devil's Tattoo" é o tipico álbum de um grupo que não tem mais nada a perder. Entretanto, é do perigo e da fúria que o Black Rebel Motorcycle Club se alimenta para supreender quem os ousam subestimá-los. A faixa título abre o disco numa levada cortante de violões ritmados para depois emendarem a pedrada "Conscience Killer" inflamada de espírito Punk. "Cause we don't need all that much, cause we never really had a choice...", canta Peter enquanto um mundo de distorção corre atrás dos seus vocais. Escuta e percebe-se claramente que a banda não pertence mais a geração que outrora fora chamada de o "Novo-Rock", isso faz do Black Rebel um monstrengo musical imprevisível e relevante. O trio expande suas influências musicais ao extremo expondo versatilidade sem esquecer suas sonoridades básicas. "Mama Taught Me Better" é um Pós-Punk com estruturas de Kraut-Rock enquanto "River Styx" é um Blues-Rock sujo e pantanoso. Completando 10 anos na estrada ano passado, o Black Rebel Motorcycle Club faz do "Beat The Devil's Tattoo" o disco que reafirma suas identidades. Em pleno século 21, é difícil ver uma banda que ainda ouse fazer Rock n' Roll sem firúlas tecnológicas, apostar no preto e ainda usar displicentemente jaquetas de couro em palco. São esses e outros motivos que fazem do B.R.M.C. um dos grupos mais competentes da década que passou.






0 comentários: